Mundo

08/08/2017 as 19:03

A maldição dos vice-presidentes latino-americanos

Não é a primeira vez que uma coisa assim acontece na América Latina

Agência Sputnik
Foto: © REUTERS/ Adriano Machado<?php echo $paginatitulo ?>

O presidente do Equador, Lenín Moreno, e o vice-presidente Jorge Glas têm confrontos graves devido aos diferentes pontos de vista sobre a situação econômica do país, apesar de fazerem ambos parte do mesmo gabinete. Não é a primeira vez que uma coisa assim acontece na América Latina. Conheça outros casos semelhantes.

Em seus primeiros meses à frente do Equador, Lenín Moreno criticou a gestão de seu antecessor, Rafael Correa, especialmente em matéria econômica. O novo presidente fez uma corrente nacional para alertar a situação de endividamento do país. 

Houve confrontos ferozes no Twitter entre os dois políticos da aliança PAIS, mas também um desentendimento ríspido entre Moreno e seu vice-presidente, Jorge Glas, mais alinhado com as políticas de Correa nos últimos 10 anos.

Tudo isso resultou em uma crise dentro do governo: Moreno decretou a retirada de todas as funções ao seu vice-presidente. Entretanto, Glas sustenta que continuará no mandato para que foi eleito.

Embora esta luta possa parecer exótica, não é o primeiro escândalo desse tipo na política latino-americana. A Sputnik apresenta outros episódios de lutas famosas entre presidentes e vice-presidentes e outros membros proeminentes do governo. 

Argentina: Cristina Fernández de Kirchner e Julio Cobos

Em 2007, a ex-presidente da Argentina, Cristina Fernández de Kirchner, apresentou-se às eleições presidenciais com Julio Cobos, o ex-governador de Mendoza. A aliança lhes permitiu receber mais de 45% dos votos e ganhar as eleições.

Tudo estava bem, até que as suas opiniões se dividiram sobre um projeto de lei apresentado no Congresso pelo Poder Executivo para aumentar os impostos sobre o sector agrícola, o que provocou um conflito tenso com as associações rurais do país.

A votação no hemiciclo do Senado – dirigido por Cobos − terminou em empate e, segundo a Constituição, em tais casos, o voto do vice-presidente decide.

"A história me julgará. Não sei como. E me perdoem se estou errado. Meu voto não é positivo. Meu voto é contra", disse Cobos, surpreendendo ao votar contra os interesses do seu governo.

Brasil: Dilma Rousseff e Michel Temer

Em agosto de 2016, o vice-presidente Michel Temer se tornou presidente após o Senado aprovar o impeachment de Dilma Rousseff. 

Possivelmente, as relações entre Rousseff, do Partido dos Trabalhadores (PT), e Temer, do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), começaram se agravando em 2015. A deterioração entre os dois políticos havia sido vazada para a mídia no final de 2015, com o aparecimento de uma carta de Temer a Rousseff. O vice-presidente se queixava de ter passado os quatro anos de Governo (2010-2014) em papel "decorativo", além da "desconfiança absoluta" que tinha Rousseff para com ele.

Dilma Rousseff foi definitivamente afastada do seu cargo de Presidente da República em 31 de agosto de 2016.

Colômbia: Juan Manuel Santos e Angelino Garzón

Na Colômbia, Juan Manuel Santos teve relações tempestuosas com os seus vice-presidentes, segundo relatos da mídia local. Angelino Garzón, que o acompanhou entre 2010 e 2014, disse em uma entrevista ao jornal El Tiempo em 2011 que tinha divergências com o presidente, mas negou que tenham existido lutas.

A saúde de Garzón se deteriorou, tal como as suas relações com o vice-presidente. Havia até senadores que exigiam que o vice-presidente renunciasse ao seu cargo por o considerarem como oposição ao Governo.

A renúncia entrou em vigor em 2014 e ao vice-presidente foi atribuído o cargo de embaixador da Colômbia no Brasil, cargo que acabou por não aceitar. Garzón continuou criticando Santos: "Não se pode governar como uma rainha de beleza, com risadinhas para todo o mundo. Tem que se governar exigindo", disse o político.